domingo, 19 de setembro de 2010

Masters of Horror: Sick Girl de Lucky McKee (1x10)

UMA COMÉDIA NA CASA DO TERROR


Há filmes que têm tudo para correr bem e depois... zás... surge qualquer coisa que deita tudo por terra. Isso mesmo acontece com este "Sick Girl".


De facto, houve várias surpresas na primeira época de "Masters of Horror", e a inclusão de Lucky McKee no elenco de realizadores foi uma delas, visto que dele tínhamos até à data apenas um filme, "May" (2002), ainda que esse se tenha tornado uma espécie de filme de culto.
No entanto, no que toca à sua contribuição para "Masters of Horror", "Sick Girl" parece-me pouco susceptível de se tornar um filme de culto, já que isto por pouco é sequer um filme.
Esta é a história de Ida Teeter (Angela Bettis, que já protagonizava "May"), uma cientista especializada em insectos com graves problemas de relacionamento. As poucas mulheres com quem consegue contactar acabam por recusar qualquer tipo de envolvimento amoroso por acharem demasiado estranhos os seus interesses pelos muitos insectos que povoam a sua casa em pequenos aquários e jaulas. Esse padrão começa a desviar-se quando, influenciada pelo amigo e colega Max (Jesse Hlubick), Ida decide convidar uma estranha rapariga que passa o dia sentada na recepção do seu trabalho a desenhar. A rapariga, Misty (Erin Brown), aceita o convite. Nesse mesmo dia, Ida recebera em casa uma encomenda com um estranho insecto que entretanto lhe foge. Esse mesmo insecto irá picar Misty na orelha, enquanto esta faz amor com Ida.
O resto do filme é a mutação de Misty, que, enquanto sente a orelha derreter, vai-se tornando mais e mais semelhante a um insecto, até que finalmente se deixa fecundar pelo misterioso animal que se alojara na travesseira de ambas.


É o tipo de sinopse sobre o qual poderíamos dizer que não há nada para correr mal. Mas corre. Muito mal mesmo. McKee revela-se de um bizarro amadorismo no que toca à construção das personagens, que são demasiado tensas, demasiado inusitadas para parecerem verídicas. A própria história parece apenas fluir, sem que nada se passa de particularmente decisivo. E por fim, no que toca a efeitos especiais, percebemos que o realizador quis criar uma cena de extreme-gore, ou pelo menos uma cena nojenta, mas tudo o que consegue é criar uma cena que, por mais repulsiva que possa parecer não escamoteia de forma alguma que estamos perante efeitos especiais, de maneira que nada parece realmente funcionar: é disso exemplo a derradeira transformação de Misty em insecto e, mais ainda, esta cena oferece-nos a morte meramente gratuita de Max, além de, afinal, não percebermos o porquê dessa transformação, uma vez que em nada resulta.
O final do filme é um pequeno segmento em que acho muito, muito, muito, mais muito mesmo difícil que qualquer pessoa não pense "Que cena mais estúpida".
Se Lucky McKee realizou em "May" um filme interessante, esse é um crédito que lhe cabe. Mas que "Sick Girl" esteja ao mesmo nível, isso não está, com certeza absoluta.



Sem comentários: